segunda-feira, 9 de maio de 2016

O descanso de uma guerreira

A vida tem dessas coisas...
A evolução dos tempos, o avanço tecnológico, o ritmo desenfreado de como tudo vem acontecendo nos tempos mais recentes é ao mesmo tempo que assustador, surpreendente. A cada dia ganhamos e perdemos neste cenário. Se por um lado vemos pessoas completamente dominadas por tecnologias oriundas das mais diferentes fontes, por outro podemos também saber que estas possibilidades de informações, por vezes, propiciam novas relações.

Bem, esta introdução foi para dizer a vocês, que nem tudo é perda. Nem sempre a vida tecnologizada é caracterizada pela escravidão às redes sociais. Há o lado bom e lindo nisso sim... Em minha história de redes, criei este blog. Através dele, tive e tenho diariamente a oportunidade de conhecer pessoas. Gente que interage comigo, gente que eu nunca saberia da existência, gente que não vale a pena e muita gente boa. 

Assim, conheci a Priscila há três anos. Menina linda por quem me interessou a história de luta contra um câncer. Na época em que nos aproximamos, a admirei pela juventude, pela beleza e por estar trilhando uma história de muita força e coragem. Mais, ela nunca esmorecia, sempre alegre, sorridente, com um alto-astral contagiante. Esta força dela que me inspirava, me fazia acreditar que ela não se entregaria, estaria firme e forte até onde seu corpo a permitisse,

Em meus pensamentos, enviei muitas energias a ela. Sonhava para ela a oportunidade de transitar sobre o próprio futuro com a mesma leveza por qual vivia o presente. Desejei que ela pudesse se livrar da doença e viver como bem desejasse. Fosse acalentado sonhos, fosse inventando cada dia um novo destino para seguir. Quis, do fundo do meu coração, que a cura viesse a tomar conta de seu corpo e alma, para que ela pudesse seguir escrevendo sua história livremente...

Quero dizer que mesmo que a gente não tenha desvirtualizado, eu terei sempre comigo a lembrança de uma guerreira. Menina que bravamente lutou contra o que lhe consumia forças e vida. Mas ela estava lá: em pé, dizendo para o câncer,  que quem venceria o round seria sua persistência e luta, não o esmorecimento. Aprendi muito com esta lutadora... Vi em seus olhos, ainda que através de fotos, a luz de quem estava ali para batalhar. Percebi em suas palavras, a garra que a movia. Coisas estas que me apropriei como aprendizado, para dizer a mim mesma que a Pri era exemplo de vida e nunca do contrário. Inúmeras vezes encorajei amigas através do que senti, eram estratégias da Pri: lutar e não se entregar, lutar com bravura mesmo que o cenário tentasse fazer diferente a configuração do contexto...

Amiga querida, quero que tua alma esteja liberta de todo o sofrimento que teu corpo viveu. Quero que recebas toda a energia de quem esteve ao teu lado física ou virtualmente, como bálsamo e conforto. Teu corpo agora descansa, mas deixa todas as lindas lembranças que cada uma de nós traz de ti e levará por nossas trajetórias.

Tua partida é triste porque sonhávamos te ver por mais tempo, ampliando tuas estradas, alongando teu percurso...Mas também é de paz, porque a leveza da tua estada é linda. Teu jeito de encarar isso tudo não traz lágrimas e sim força ao nosso coração. 

Que tua família e cada pessoa que gosta de ti, e almejou tua vitória, esteja em muita luz. Que cada uma de nós tenha um pedacinho de tua força, para se amparar nas situações mais difíceis e siga teu exemplo de quem não se deixou vencer pela doença.

E, apesar do teu corpo agora descansar, tudo que tu nos deixa segue vivo, iluminado e presente em cada pontinho de tudo que lembramos de ti...
Linda Priscila, tenho certeza de que aí no céu terá muito cantinho lindo precisando dos teus toques de luz, da tua presença iluminada e um imenso troféu de flores de luz: te premiando pela guerreira que sempre foste. Um dia a gente se encontra e eu te dou o abraço que não pude dar... Até lá, te mantenho cercada de muito carinho e desejando que estejas em muita paz e muita, muita luz mesmo!

domingo, 8 de maio de 2016

Essa coisa chamada maternidade

Coisa interessante isso... Lá se vão catorze anos de maternidade humana(e mais uns dezessete de canina...). Não pari meu canino e caninas, mas em momento algum nego o sentimento que eles fizeram brotar em mim, desde o dia em que batemos olho a olho...

O início de uma vida de cuidados se faz presente, desde o dia em que decidimos cuidar de outra vida. Estar presente a cada solicitação, silenciosa, latida ou chorosa... Mãe de bicho não vive no ventre a presença de outra vida, mas traz residentes definitivos para dentro de seu coração...

Com meus peludinhos, aprendi e aprendo muita coisa. Desde as simples como atentar para o latido diferente, quanto mais complexas como tentar entender como eles me entendem e também acolhem meus sentimentos mais silenciosos. Bicho ensina a gente a ser bicho, e não a gente a ser gente... A gente aprende a interpretar o instinto, a lidar com nosso pensar irracional e a conhecer o universo sem palavras, apenas de sentidos.

Com meus humaninhos, aprendi a ser gente. Gente-mulher, gente-leoa, gente-criança, gente-mãe. Todo dia uma novidade, todo dia um começo, todo dia um desafio, todo dia novos eles e ela e todo dia uma nova eu. 

Antes de ser mãe, imaginava a maternidade um universo paralelo e curioso. Recriava minha maternidade imaginária através da fantasia do que eu pensava ser fascinante. Pena que eu não sequer cogitava que seria tudo aquilo e muito mais intenso, muito mais rico, muito mais poderoso do que qualquer hipótese fantasiosa. Porque quando criança, pensava em ser mãe para amamentar , levar boneca no pediatra, dirigir levando a boneca para passear e passar batom na boca para buscar boneca na escola. É...Parece que minha realidade materna foi prevista nestes quesitos. Fiz e faço tudo isso. Faria tudo de novo!

Meus filhos e filha, estxs que saíram do meu ventre, são responsáveis pela mãe que nasci. São a força que tenho para em todos os dias querer viver tudo que possa nos trazer aprendizado e sonho.

Há dias em que parece que o céu desaba sobre a minha cabeça, que o chão some dos meus pés ou que simplesmente penso: este dia bem poderia ter quinze segundos de existência... Mas lá resisto e sigo, tomada de coragem e força para seguir a trajetória... Poder estar ao lado de cada um e delas, sempre que precisarem de mim.

Ser mãe sempre esteve em meus planos, meus sonhos, em mim. Sempre foi desejo do meu corpo, desejo da minha alma e certamente a maternidade é meu órgão vital externo tão poderoso quanto os meus mais internos. 

Sei bem que as crias crescem, trilham seus caminhos, buscam novos horizontes. Sei bem que a cada dia tornam-se donos de si mesmos e almejam seus próprios vôos... Mas sei que estou presente junto a cada um deles e delas, às vezes furiosa e brigando, outras amável e afofando e em algumas, quieta e atenta: mas sempre junto.

Costumo dizer que três filhos trazem diversidade para dentro de uma vida... Um dia tem um adolescente aprendendo a lidar com hormônios, no mesmo dia tem gente fazendo conquistas e com tudo isso tem também seres que acham um grande barato o desenho que passa na tevê, onde o cara principal protagoniza os episódios com suas atitudes mais do que surreais, mas enfim.

De tudo isso, ser mãe é o que me move. Por mais que eu viva minha vida, assuma minha identidade feminina, individual, tenho a certeza de que minha individualidade só se completa porque tem minhas crias... Tenho certeza de que sem cada um destes que me fizeram mãe, eu verdadeiramente nada seria.

Só posso agradecer ao universo por me dar a chance de ser mãe destas belezas que vieram para minha vida! Agradeço a cada dia por aprender que amar e cuidar, fazem parte do que eu quero para mim mesma: por toda a minha vida e além dela...

Que as pessoas que assim como eu, encontram na maternidade suas luzes e forças, vivam seus dias de mães todos os dias! Que todos os dias de todas as mães seja sempre uma oportunidade de aprender, de crescer, de viver e de alguma forma, trazer esperança por novos desafios e novas emoções calorosas aos nossos corações... 

mamytri 2002






sexta-feira, 22 de abril de 2016

Haja coração!

Vocês que têm me acompanhado, sabem que defendo atitudes de cuidado com mente, corpo, filhxs e saúde de um modo geral... Nunca fui obsessiva nestes sentidos quaisquer, mas valorizo qualidade de vida pra gente, para a filharada.
Estes tempos postei sobre o fim do meu sedentarismo, sobre a necessidade que senti em ter um corpo e vida mais regrada em termos de alimentação, exercícios, tudo... Assim, fui buscar respaldo na questão alimentar para mim também, afinal de contas, sempre estive atenta aos filhotes e par mim, neca... 
A nutricionista do filho virou a nutri da família, e foi com ela que iniciei a etapa dos esportes. Calma aí que vou chegar onde vocês devem estar curiosos...
Decidi que não queria nem engordar e nem emagrecer, apenas tonificar meu corpo e ganhar massa muscular. Queria fazer esporte indoor, porque chega uma certa época do ano, que apesar de não fazer frio por aqui, tem chuva, tem empecilhos que atrapalham atividades externas. Assim sendo, decidi pela musculação. Exercícios localizados, que atendessem minhas expectativas...
Ahhh, agora começa a novela que vocês entenderão a sucessão dos capítulos...
Busquei um cardiologista para fazer uma avaliação e que então, ele me fornecesse um atestado de boa saúde e aptidão para a prática de exercícios. Ok, consultei e ele na própria consulta já realizou um eletrocardiograma. E me pediu um check-up, teste ergométrico e exames de sangue. Eu nunca tinha feito ergométrico, fui. Todo mundo que já fez, e com quem falei, me alertou da importância de não me exaurir e fazer no meu limite. Assim fui eu...
Para minha surpresa e apreensão, deu arritmia. Houve a necessidade de investigar, poderia ser um falso positivo. Nesta situação, acabei buscando um segundo médico, que foi quem pediu exames complementares, para que pudéssemos descobrir se de fato, havia esta tal arritmia enfim.
No rol de exames estavam: ecocardiograma, holter e cintilografia. Este último é um incômodo, mas necessário e até que suportável... Mas foi ele que trouxe a bomba no laudo: isquemia miocárdica em 12% do ventrículo esquerdo... Ora! Um cara com nome e sobrenome assim, comigo e eu sem nunca imaginar a existência dele? Como poderia ser isso? Ter uma coisa sem a qual nunca apresentei sintomas mais significativos, nunca tive dores, como poderia isso? 
Foi então necessária outro exame, para se ter certeza de fato, de que estes 12% faziam parte de 14% da possibilidade de ser falso...
Não escapei do cateterismo... Este sim, odiei e não vou falar para vocês mais detalhes porque pedi sedação e quis ser poupada de cada detalhe, porque simplesmente tenho aversão a veias, e né, isso aí é informação que to pulando... 
Mas felizmente, cá estou para finalizar estes diagnósticos: meu coração está firme e forte. Há arritmia, será medicada. Não há doença coronária, não há motivos para meu coração ficar apertado, sofrendo por doença que ele não tem e por algum instante, cheguei a pensar ter...
Não que eu esteja imune, nada disso, ninguém está! Mas sigo com este músculo forte, pulsando, batendo, vibrando, por vezes encolhendo e por tantas outras ritmando minhas emoções! Sigo pronta para viver o que for pra viver e contar com meus batimentos no ritmo que têm que ser, que têm para ser. 
Encontrei carinho em muitas pessoas com quem dividi esta angústia da possibilidade de talvez ter o que de fato não tenho. Amigas e amigos que estiveram do meu lado desacreditando de qualquer diagnóstico diferente do que não fosse o de saúde. Família que não me abandonou e esteve atenta e cuidando cada passo que dei a cada nova avaliação. 
Não tornei isso público antes porque precisei estruturar dentro de mim esta variedade de sentimentos e novos medos. Precisava estar forte caso tivesse de enfrentar o pior... Precisava de mim para poder suportar a mim mesma. Felizmente pude estar ao meu lado quando mais precisei de mim, e agora posso contar tudo o que vivi, para vocês, com tranquilidade.
De tudo, trago as lições de que não podemos nunca deixar de cuidar da gente mesmo em quaisquer circunstâncias. Não se pode querer ir a uma academia que simplesmente faça a gente assinar um termo de responsabilidade em caso de "acidentes". Lógico que muitxs de vocês não precisariam passar por esta bateria de exames por que passei, por já praticarem exercícios e por terem funcionamento físico diferente do meu. Mas estejam atentxs! Cuidem-se, prestem atenção ao corpo de vocês! Há doenças silenciosas, há sintomas facilmente confundidos com cansaços e reações pontuais.
E assim, haja coração para vivermos tudo e mais um pouco! Mas só haverá coração se houver uma cabeça bem firme e forte para levar este corpo da gente aonde ele quiser ir, aonde ele quiser estar! 
Cuidem de seu coração! Amem, vivam, sejamos felizes!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Uma década de Manu!


Hoje completo uma década de mãe de menina. Hoje minha menina faz 10 anos! Seguimos naquele dilema clássico, que é grande para algumas coisas e pequena demais para outras. Ah, mas se é uma coisa para a qual ela estará sempre adequada, é para ser amada por mim: sempre!
Em dez anos, mergulhei a fundo no universo da minha filha. Guria que ora gosta de rock, ora se encanta por melodias de ninar. Menina que desenha seu mundo em folhas e mais folhas de papel. Escreve sua expressão através de suas ideias. Expressa sua alma  através de traços ou letras. Filha que me mantém atualizada sobre as novidades frenéticas do mundo pop, descolado, dinâmico e das transformações.
Esta minha filha é meu pé no futuro, terreno este em que desejo fervorosamente pisar com muita delicadeza e familiaridade. Sei que minha filha será uma grande mulher. Destas que lutam pelo que desejam, que vão atrás de seus sonhos(cookies e marshmallows!) e de tudo que lhes trouxer luz para a alma.
Manu, até aqui tem sido um grande barato aprender tanto a cada dia, contigo. A partir de amanhã, é novo ciclo, novo início de década. Mas tenho certeza: cada uma será melhor do que a outra e vamos sim, seguir parceiras e unidas - mesmo que tu não goste das roupas que eu escolher pra ti, vou te amar por todas as nossas vidas!
Feliz aniversário, princesa dos meus sonhos! Boneca que anda, faz pirraça, cuida de mim e faz de mim uma mãe e humana, cada dia melhor! Hoje a festa é tua, Nunaaa!!!!

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